A primeira noite de desfiles do Carnaval do Rio

Império Serrano, São Clemente, Vila Isabel, Paraíso do Tuiuti, Grande Rio, Mangueira e Mocidade Independente de Padre Miguel passaram pela Sapucaí

ACADÊMICOS DA GRANDE RIO

Acadêmicos do Grande Rio  Chacrinha na primeira noite de desfiles do Grupo Especial

No Carnaval do Rio de Janeiro  tensão e política. Um dos destaques da noite, a Mangueira arrebatou o público da Sapucaí com um desfile belo e combativo. A escola trouxe um protesto para a avenida e ironizou os cortes promovidos pelo prefeito Marcelo Crivella na folia com o enredo “Com dinheiro ou sem, eu brinco”.

Outra a misturar samba com política foi a Paraíso do Tuiuti, que surpreendeu com alegorias ácidas contra o governo Michel Temer. Ao falar da escravidão no Brasil, a agremiação criticou a reforma trabalhista, satirizou o presidente com um vampiro vestindo faixa verde e amarela e debochou dos manifestantes que pediram o impeachment de Dilma Rousseff.

A maior tensão da noite aconteceu no desfile da Grande Rio, que teve com atração o retorno de Juliana Paes como rainha de bateria após dez anos. Um dos carros da escola quebrou no início da avenida e precisou ser rebocado, desfalcando a agremiação e prejudicando a harmonia e a evolução do desfile.

A Império Serrano inaugurou os desfiles deste domingo na Sapucaí. A escola de samba da Serrinha, em Madureira, zona norte do Rio de Janeiro, retornou ao Grupo Especial após passar oito anos sem desfilar no pelotão de elite. O enredo falava da China, mas as homenagens foram para o sambista Arlindo Cruz, torcedor ilustre da Império que se recupera de um AVC.

São Clemente foi a segunda a desfilar na noite de Carnaval no Rio. A escola do bairro de Botafogo fez um passeio pelos duzentos anos da Escola de Belas Artes, desde a missão artística dos anos 1800 de Jean-Baptiste Debret até o Carnaval atual.

Terceira na avenida, a Unidos de Vila Isabel fez uma retrospectiva das grandes invenções do homem com o samba-enredo Corra Que o Futuro Vem Aí. Santos Dumont, Albert Einstein e Thomas Edson foram alguns dos homenageados.

A rainha de bateria da Unidos de Vila Isabel, Sabrina Sato, durante desfile no Sambódromo na Marquês de Sapucaí –

(Ricardo Moraes/Reuters)

O capricho tecnológico e a abundância de luzes marcou a passagem da escola pela Sapucaí. Sob o comando do carnavalesco Paulo de Barros, a escola usou a tecnologia LED na saia da porta-bandeira e em discos que, manejados pela comissão de frente, formavam a palavra “Vila”. Sabrina Sato foi a rainha de bateria.

Com enredo sobre escravidão, a Paraíso do Tuiuti misturou samba e política. A escola foi a quarta a entrar na Sapucaí e trouxe uma sátira a Michel Temer com um presidente-vampiro em um de seus carros alegóricos.

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